Mensagens

A poesia não serve para nada

A poesia não serve para nada Não serve mesmo! Após longa reflexão e depois de muitas leituras sobre o assunto, chego à feliz conclusão que a poesia não serve mesmo para nada. Não lhe vejo qualquer serventia ou utilidade. Acho mesmo que deve ser a coisa mais inútil do mundo. De todas as invenções humanas, a poesia deve ser muito provavelmente a pior, logo a seguir, é claro, ao tapete voador (como é que alguém limpa os pés num tapete voador!??) Comparando com o “clip”, que praticamente dá para fazer tudo o que se consiga imaginar, a poesia cora de vergonha perante a sua completa inutilidade. Aqueles que ocupam o seu tempo a escrever poesia são uns verdadeiros tontos, que se deviam ocupar a escrever coisas, é claro, mais úteis: ofícios, palpites para o placard, notícias, sei lá bem…qualquer coisa que menos ocupe uma página inteira e não desperdice os restos das linhas. A esses tontos, para além de serem um bando de preguiçosos, deve faltar muito vocabulário pois deixam muitas vezes ...

Quem tem medo da democracia?

Quem tem medo da democracia? Não há nada mais perigoso do que uma boa ideia posta em prática por gente fraca, irresponsável e dotada de uma cartilha de valores, no mínimo, questionável. Refiro-me à União Europeia, é claro! A União Europeia assenta as suas origens em ideias valorosas e realmente positivas, a que ninguém, de perfeito juízo, pode estar contra: a paz e a livre circulação de pessoas e bens dentro deste espaço comum. Como em tudo na vida, de nada serve uma boa ideia, se esta for posta em prática de forma pouco inteligente. É do senso comum que qualquer união só valerá a pena se a soma for maior do que as partes: é assim que funciona com as pessoas, e é assim que funciona com as organizações. E é claro que quem se junta com outro, e aqui até podemos entrar na natureza das relações humanas, tem de estabelecer um conjunto de regras, fazer um determinado número de cedências, para que essa mesma união seja possível. Pesados os prós e os contras, o resultado dessa união, isto n...

O que eu quero é o mar;

O que eu quero é o mar; sorver a maresia, deixar-me salgar. Quero escrever na areia, versos efémeros, passageiros, que durem a eternidade da onda e se misturem na espuma. Quero o mar poema, cheio de lágrimas e versos, calmos, na ordem certa, ou revoltos, indomáveis, tomados pelo vento. Quero o mar, poema eterno, tecido na cadência das ondas, escrito no seu desmaio, declamado na sua força. Quero o mar, livro em branco que me receba palavra a palavra Verso a verso quadra a quadra Quero ser mar, Quero ser onda, espuma, Quero ser sal Quero ser a palavra que, temperada pela maresia, seduz o sabor dos dias. Aí o mar se faz poema, e o poema é nada mais do que mar! Jcs 2016

Palavra Maldita

Palavra Maldita E a palavra, soletrada, presa nos dentes, ou livre com vento nas asas. Que seja dita pois nunca será maldita. Que procure tempo ameno, No voo em bando de uma frase Ou enfrente tempestades, num verso bravio que não rima …mas, que seja dita, pois nunca será maldita. Que não fique presa, pesada, Carregada da cor do tempo e lhe fuja o momento. Que seja apenas dita com cadência, ou tropeção, verso nobre, ou palavrão …mas que seja dita, pois nunca será maldita! Jcs/2016

Fugir da derrota como o diabo da cruz

Fugir da derrota como o diabo da cruz Escrevo esta crónica na véspera da partida da nossa seleção para França. É claro que só posso desejar que nos proporcionem dias de alegria, e claro, que desta vez o caneco venha para cá. Não peço menos. Aliás, não concebo que se entre numa competição sem ser para ganhar. Pode-se perder; ficar pelo caminho; escorregar em frente à baliza; pode até o poste impedir o tal golo da vitória; podemos mesmo não ganhar um único jogo e nem sequer marcar um único golo, mas… ninguém deve partir para uma competição sem ser com o objetivo de ganhar. Se não for assim, mais vale não competir. Claro que perder faz parte do jogo, mas quem se prepara para perder, muito dificilmente ganha. É mesmo uma questão de atitude. Não se confunda isto com falta de desportivismo, pois uma coisa é aceitar a derrota e outra coisa é não se importar com a derrota. Para que se queira mesmo ganhar, há que ver as derrotas como a pior coisa que pode acontecer, e sejamos francos, como ...

Crianças, histórias e um basta!

Crianças, histórias e um basta! Gosto de contar histórias, gosto de as imaginar e ver crescer dentro da minha cabeça. Depois, nem todas resistem ao papel; muitas delas não sobrevivem sequer, qual efémeras, ao fechar de olhos da minha filha. Mas nem assim deixo de sentir uma enorme felicidade por ter a oportunidade de lhe contar em primeira mão as histórias que me habitam. Mesmo efémeras, servem o propósito máximo que qualquer história possa um dia vir a ter: ter um ouvinte, um leitor, alguém do lado de lá. Tudo isto já seria suficiente, já seria uma amostra evidente de felicidade suprema. A minha sorte é ter muitos momentos como estes, e só posso desejar que nunca acabem, que ela nunca desista de me pedir histórias. Destas, algumas passam para o papel e ganham uma dimensão mais completa, outras, mesmo mais elaboradas, ficam à espera da pincelada final que poderá muito bem nunca chegar. E ficam ali guardadas numa gaveta qualquer, ou num ficheiro à espera de melhores dias. Há depois ...

Lançamento do livro "Papá, só mais uma..."

Particularmente público ou Publicamente particular?

Imagem
P articularmente público ou Publicamente particular? Convém desde já fazer a minha declaração de interesses para que não haja equívocos. Todo o meu percurso de aluno foi feito em escolas públicas, desde o ensino primário ao ensino pós-graduado. Como docente, grande parte do meu percurso foi feito em escolas públicas. No entanto, neste último ano abracei alguns projetos em instituições privadas, onde estou a desenvolver a minha atividade profissional. Conheço, por isso, as vantagens e desvantagens de cada um dos lados, as suas limitações e méritos, mas não é exatamente isso que está aqui em discussão. Não pretendo abordar aqui qualquer questão relacionada com a qualidade de ensino, até porque as variáveis são muitas e seria necessária uma análise exaustiva a cada caso, que não tem lugar no espaço destinado a esta crónica. Para os que seguem os meus textos, sabem que defendo de forma acérrima aquilo que chamo como “consciência da escolha”, ou seja, que o estado e a sociedade dev...

Apresentação em Sanfins de Ferreira

O ar de ABRIL

O ar de ABRIL Parece que este ano se festejou ABRIL. Sim, parece que o ar está mais leve, e que, passados uns quatro pesarosos anos, deu vontade de respirar o aroma dos cravos que invadem as ruas e lapelas do nosso país. Sente-se no ar um ar fresco das possibilidades e um libertar das algemas das inevitabilidades. Mas posso a estar a ser ingénuo, romântico ou até quem sabe enganado. No entanto há este cheiro a uma nova utopia que tornam presentes os valores daquele mês primaveril. Nascido em 1978, nada posso comparar, nada posso afirmar de um tempo que não vivi. Felizmente, não sei o que é uma ditadura sem ser por aquilo que me contaram, sem ser por aquilo que li ou sem ser pelo que vi e vejo nas notícias ou em documentários; nunca lutei pela liberdade, nem nunca lutei pela liberdade de expressão, pois nunca me faltaram e sempre tomei como certas. No entanto, não há nenhum valor de ABRIL no qual eu não me reveja, não há nenhum valor de ABRIL que eu não ache justo e desejável para ...